Vício

Os olhos alegres de Bartha contagiaram-na. Como um filhote de gato, rendeu-se ao abraço da mãe protetora. Por mais que ainda sofresse a perda, a repulsa, a recusa, se sentiria feliz em receber o consolo da única mulher que realmente a protegia.

— Posso mesmo pedir o que desejar?

— Sim, você mereceu isso, Alfa V.

— Então eu quero a posse de uma pessoa.

— Promissor, promissor… talvez, finalmente, tenha encontrado uma herdeira. Quem seria?

Pétala abaixou o olhar, mordeu o lábio inferior e apertou a barra do casaco entre os dedos. Quando verbalizou, Bartha endureceu o olhar, o carinho desaparecendo, dando lugar à ira.

— Você prometeu o que eu desejasse.

— É… prometi. Anda, levante-se.

Obedeceu prontamente, recuando à uma distância segura das mãos daquela mulher. Engoliu difícil, tinha abusado da bondade da única pessoa que a amava de verdade.

— Por que aquela menina?

— Porque ela é boa. Pode ser útil para nós.

— E por que uma rebelde seria útil para nós?

— Deixe seus inimigos por perto — ergueu uma sobrancelha tentando se mostrar esperta. Bartha gostou daquele olhar, pelo menos o bastante para se acalmar.

— Tudo bem. Só não se contamine.

A felicidade dominou o coração da mutante.

“O que aqueles alunos topavam para fugir do único lugar que os mantinha saudáveis, protegidos e vivos era quase suicídio.”

SINOPSE

“Alfa V,

Um dos nossos está correndo um grande perigo e é alguém muito especial. Desvios podem acontecer, principalmente na condição e idade de vocês, mas não devemos dar razão às dúvidas.

Faço uma ordem de busca para Alfa X.

A recompensa especial você já sabe.

Com carinho,

B.”

Pétala leu as letras bem desenhadas daquele bilhete mais uma vez, acendeu o isqueiro e se desfez das provas com fogo.

— Considere o serviço feito.

O Que Andam Falando de Vício:

E a Gabi conseguiu fisgar um leitor que não gosta de Fantasia Urbana (eu mesmo), o que é algo estarrecedor! A história é dinâmica, muito bem narrada e com todas as pitadas descritivas que tanto gosto da escrita de Rhaekyrion, muito presente também no “Mar dos Lamentos”, e o desenvolvimento ímpar da protagonista, sobre como ela lidará com esse impasse aprofundado em seu íntimo.
Fábio Hingst

Gabi nos conduz com maestria no dilema da protagonista e eu só fico pensando: nossa, quero ver o resto em um livro bem épico e cheio de críticas sociais! Uma ótima leitura, que você mata em um dia e sai revigorado.
Laís Napoli.

Por ser um conto curtinho eu li super rápido e gostei da forma como a autora mostrou o vício de Pétala e seus conflitos internos, o ambiente de internato com jovens modificados me deixou bem interessada em conhecer mais.
Super recomendo
– Yasmin.

Rapidinho de ler e com uma escrita gostosa e fluída. Em poucas palavras conhecemos o íntimo de Pétala e sua luta interna. Terminei com um gostinho de quero mais. Recomendo muito!
– Sabrina.

A escrita da autora mostra maior potencial aqui. Após ler esse conto e comparar com “Na Capela de Santa Bárbara”, há pouco publicado pela autora, se vê uma enorme evolução narrativa, onde o ritmo é o grande destaque, sendo fluido o suficiente pra tornar toda a trama imersiva. Personagens ótimos e um cenário interessantíssimo que traz uma leve sensação de urgência. Particularmente, gostei bastante.
– Denner.

É muito gratificante quando o autor consegue quebrar suas expectativas com uma história bem contada. Eu jamais imaginaria com o que me depararia quando vi a sinopse desse conto e fui pego de surpresa com uma história muito boa.
Nos envolvemos com os sentimentos e sofrimentos da protagonista Pérola, querendo saber se realmente ela vai conseguir se libertar do vício, até descobrirmos qual é o seu verdadeiro vício.
Uma história muito boa de fantasia urbana e que nos deixa com um gostinho de quero mais.
Acho que deveria investir em produzir um romance nesse universo. Daria muito certo.
Parabéns.
– Mateus Queiroz.

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