Resenha A Acompanhante: A Leveza de Um Quase Primeiro Amor

Resenha A Acompanhante: A Leveza de Um Quase Primeiro Amor

O romance romântico tem dessas manias de lhe pregar uma peça, mesmo nos corações mais relutantes e foi justamente isso que o livro A Acompanhante fez comigo.

Publicado pela editora Building Dreams, a obra da escritora Natasha Said possui um título que me lembrou uma das primeiras fanfics de Inu Yasha que li na vida e responsável por dar inicio à minha paixão pelo mundo da escrita.

Pergunto-me se não seria a mesma autora das épocas de Anime Spirit, que resolveu adaptar sua história para um original. Ficará o mistério.

Antes que comece a divagar em teorias da conspiração, vamos ao que interessa: Alice e Olívia, as protagonistas incríveis desse livro.

Um Conselho que Vira uma Cilada

A Acompanhante é um livro de ficção romântica nacional, que faz de Belo Horizonte o palco de uma trama que começa bem sem jeito, quase desesperada, e se encaminha para os suspiros no escuro, abraçada ao Kindle.

Alice é uma jovem entusiasmada, baladeira, firme na sua carreira. Uma mulher decidida, empoderada, segura de si. Alguém que idealizamos quando somos adolescentes, com um toque leve de mágoa e passado trágico, para completar o pacote.

Mas esse “mulherão” se vê na beira do abismo quando o casamento da sua irmã se aproxima e o convite chega com uma ficha para que Alice leve um acompanhante – quando não existe nenhum namorico para tal.

Detalhe: o noivo e cunhado também é o ex-namorado de Alice, que terminou com ela por e-mail, sem direito a conversa.

Com o coração magoado e recheado com um sentimento de vingança, Alice aceita o conselho de uma amiga e liga para uma agência de acompanhantes, pedindo alguém capaz de impressionar sua irmã e o ex. O porém: ela não especificou o gênero.

Jurando que veria um cara gostoso de doer no dia do primeiro encontro, Alice precisa segurar as pernas ao se deparar com Olívia; ainda mais maravilhosa do que seria se fosse um rapaz, mas Lice nunca teve relacionamento além do fraternal com mulheres.

Ela com certeza é linda de morrer, é até pecado existir alguém como ela.”, retirado do livro.

O Romance Como Tem que Ser: LIVRE

Como me propus a fazer nesse novo ciclo da minha vida, não quero destrinchar detalhadamente a história do livro nessa resenha. O foco será o sentimento e o debate, para tal, destaco algo extremamente importante nessa obra: a liberdade de amar.

Os enredos LGBTQIA+ costumam focar nas questões envolvendo a autoaceitação, os preconceitos e os romances carregados de tragédia e sofrimento. É quase certo haver “sair do armário”, autodescoberta, ou questões envolvendo violências quando mencionado um livro ou filme LGBTQIA+.

Como se nós vivêssemos em constante drama quanto a nossa orientação sexual ou de gênero, focando apenas desse quesito das nossas vidas. Motivo este que me distancia de obras que estampam essa “inclusão”, que virou trand do mercado ao invés de ser algo fluído, inserido nas linhas das tramas.

O fato é que qualquer ser humano – por consequência, qualquer personagem fictício – possui uma identidade cujo questionamento não é necessário. Somos todos iguais e vivemos diversas histórias, não só a garota ou o garoto que está se descobrindo gay e precisa contar isso aos pais.

Então, chegamos a esse livro e lemos a naturalidade que deveria ser em toda a sociedade. A liberdade de amar. Não existe questionamentos quando Alice apresenta Olívia como sua “namorada” para a família, a curiosidade sobre as duas é tal qual qualquer relacionamento: em como elas se conheceram e se apaixonaram.

A leveza com a qual a autora conduz a trama, com as mesmas pegadas de comédia romântica e clichês do gênero, conquista o coração. Amei cada linha do envolvimento dessas duas, principalmente a forma divertida da escrita.

O Negacionismo do Feminino Quanto ao Romântico

Sou escritora de ficção fantástica, consumo livros voltados para esse grande gênero. Também leio terror/horror, suspense e não ficção. Por qual razão me aventurei em um gênero literário tão distinto do meu habitual?

O romântico de um modo geral nunca me atraiu, principalmente por encontrar históricos iguais, com pouco desenvolvimento de personagem e enredo. Então, não gosto do envolvimento romântico das personagens nos livros de outros gêneros? Gosto sim! Mas o foco ser o relacionamento nunca foi minha praia.

Ao longo dos últimos meses venho questionando-me quanto o tipo de leitora – e de escritora – sou. Para que fique claro, existe bastante machismo na escrita e não é incomum que escritores homens apontem critérios sobre estilos de enredo e escrita considerados “de mulher”; dentre eles tudo que envolve o romântico.

Nesse período de me lançar no mercado editorial e nas redes sociais conheci uma escritora, e grande amiga – Carol Façanha –, que traz muitas críticas a respeito desse machismo enraizado no mundo da literatura. Dentre os diversos temas, ela fala sobre a negação do feminino por mulheres, considerando-o sinônimo de fraqueza e inferioridade; sendo assim, se aceita o masculino no lugar.

A Carol aborda esses temas com profundidade em suas mídias – se quiser conhecer, clica aqui – e uma das coisas que me fez refletir sobre meu posicionamento tão revoltoso à tudo que envolve o feminino foi justamente a questão do romântico.

Devido aos constantes apontes sobre eu ser mulher “e escrever romancinho”, passei a negar o romântico e o feminino em uma busca de aceitação de leitura, de fazer com que prestem atenção no meu enredo e não nos relacionamentos; e que os vissem como simples consequência de química e não como ponto principal.

Policiava-me, inclusive, nas cenas eróticas, porque isso também virou símbolo de ser mulher – e não de um jeito positivo aos olhos de leitores da fantasia –, temia falar ou fazer shippe de casais, com medo de cair nessa classificação machista, misógina e injusta.

Comecei a me questionar sobre as razões de me limitar dessa forma – as podas estavam bloqueando minha escrita – e foi nos textos da Carol que encontrei uma luz, uma espécie de entendimento e aceitação.

É muito difícil ser escritora de fantasia no tipo de sociedade em que vivemos. O assunto é tão complexo que precisaria de uma matéria só para isso – talvez o faça, quem sabe em colaboração com a Carol.

Luto pela representatividade que liberta, tal qual encontrei nesse livro, e por essa razão abdiquei das amarras e aceitei que sou uma leitora que gosta de boas histórias, sejam elas montadas em dragões e travando guerras épicas, enfrenando monstros sobrenaturais ou a montanha-russa da descoberta de um amor.

Beijos de Fogo.

Mais Sobre O Livro, Autora e Editora

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