DEUSES DE IOVERLAR: A DEUSA KALA

Deuses de Ioverlar A Deusa Kala

Representada pela serpente de quatro cabeças, Kala é a deusa associada a prosperidade e a fertilidade. Descrita como uma deusa benevolente, romântica e temperamental, Kala possui a responsabilidade da vida.

Nos livros mais antigos, a aparência de Kala está no corpo de uma mulher de seios fartos, longos cabelos serpenteantes, braços magros terminados em garras semelhantes a agulhas e as ancas largas se estendendo no que seria uma enorme cauda de serpente. Na sua testa repousa a cora de Orty e Orly, presente dado no dia de sua nomeação como deusa. Colares de contas largas, esculpidas no formato de presas pontudas, pulseiras em arcos que simbolizam os ciclos estacionais.

No seu ventre está desenhado o símbolo ahirn, que significa, na língua antiga de Spenyn, o marco inicial, o início da Era, o princípio. O símbolo de ahirn é desenhado no ventre das mulheres após o nascimento do primeiro filho, como prova de fertilidade, de que ali foi gerada uma vida.

As escamas que tingem seu corpo são de um bronze quase dourado, se tornando mais claro ou mais escuro a depender da estação ou de seu humor; os relatos mencionam Kala como uma deusa de caprichos e extremamente exigente quanto as suas vontades.

De seus pulsos partem duas cabeças de serpentes e a ponta de sua cauda possui um ferrão curvo cujo veneno é capaz de matar ou amaldiçoar. Dotada de presas afiadas, os cânticos do amor de Kala mencionam beijos apaixonados pontuados por pontadas finas de dor. O veneno contido nas presas da deusa possui um poder curador milagroso, usado somente quando o coração da deusa é tocado de maneira profunda.

Costumam se referir a ela como a deusa das quatro fases, as quais associam com as estações. A fase da menina é nanunt, a mulher é fónly, a mãe/senhora é salém e a sábia/velha é tayra. Para cada período de ápice estacional, contado por equinócio ou solstício, existe um ritual de celebração à Kala. Dentre eles, o mais famoso no sul inteiro é a Devoção do Ventre Oferecido ou, como dizem popularmente, dia da Oferenda.

Diferente dos demais povos, no Sul, principalmente em Spenyn, a oferenda significa o ápice da alegria e da fartura. Comumente celebrado no dia mais quente de fónly, a cidade é tomada por uma alegria contagiante em música e festa, pontuada por passeios nas ruas em línguas humanas seguindo alegorias – carruagens imensas, puxadas por elefantes cor-de-rosa, enfeitadas com flores e tecidos coloridos, na qual músicos se reúnem em bandas para ecoar baladas frenéticas –, que consomem a atenção dos cidadãos.

A flor que representa Kala é a calêndula, normalmente distribuída nos pés da estátua da deusa no templo Pilares da Areia, no centro de Spenyn. O único templo cujas estátuas dos deuses possuem tamanhos monumentais e são coordenados por xamãs.

Kala é acompanhada por uma arara colorida, a Penurky, um presente de Kanum, chamada de arara arco-íris por suas penas possuírem todas as cores de Ioverlar. Dizem que Penurky carrega o poder do desejo, basta segurar uma de suas penas e fazer um pedido em nome de Kala. Porém, segundo os relatos escritos pelo Xamã Hamurark no Yor, Kala toma para si um fragmento de vida de quem utiliza o desejo de forma egoísta.

Sua cor é o amarelo e o dourado, onde o sangue de Kala foi derramado há vida e brilho, nascendo, assim, o ouro. Spenyn se tornou a capital das pedras preciosas pela abundância de gemas do sangue de Kala em suas cavernas.

Amante e parceira de Kanum, a deusa uniu-se ao senhor da Batalha ao se encantar por sua força e dança. As baladas Curvas de Delírios, O Toque do Deus, Suspiros e Lamento do Anoitecer tentam descrever os diversos momentos de encontros e desencontros entre os deuses; essas, também, costumam ser as canções mais tocadas nos casamentos sulistas.

Na rua Adaga Dourada se concentram as hospedarias mais famosas de Spenyn, as ruas desse bairro possuem ladrilhos dourados e tendas amareladas, dispostas de tal maneira que lembram a curva da lâmina de uma adaga, culminando na cauda do rio Lince Negro, o maior rio do sul, onde passeios de catamarã levam ao vale do Kalle, uma caverna rica em argila amarela, usada para cicatrização e rejuvenescimento. Dizem que na Adaga Dourada Kala fez o rio Lince Negro para alimentar as plantas ao redor.

Deuses de Ioverlar: A Deusa Kala (Imagem retirada do Pinterest, DeviantArt. Ilustrativa para a representação de uma parte do rio Lince Negro)

Spenyn não é uma cidade turística, porém, esse percurso é famoso em Ioverlar, muitos admiradores viajam ao sul em prol de conhecer esse lugar -boa parte dos curiosos desejam coletar a argila, motivo do reforço bélico na região.

A argila amarela é sagrada e só pode ser coletada no equinócio de nanunt, pelas mãos de uma herdeira Skarten de sangue legítimo. Caso contrário, a argila corrói a pele formando escaras que não cicatrizam.

Açafrão e páprica são usados na comida como símbolo da Deusa há gerações. As especiarias vendidas em Worny são famosas pelo sabor acentuado da comida. Em Elderest, o colorau é incrementado nos pratos com leite de coco, para dar uma coloração amarelo/alaranjada ao caldo, se tornou febre na cidade.

Muitos alimentos nesse sentido foram criados para homenagear Kala, mas o prato principal e único por todo o sul é a torta de cabra, símbolo dos casamentos, geralmente preparado pela noiva. Caso contrário, a união tenderá a falir e se desmanchar.

Kala é uma das poucas deusas que se aproxima dos humanos, centro de diversas ocasiões registradas em mitos. Uma delas está na balada Sob Esse Solo Viverei e na lenda da Lança de Foermea.

Poderia passar horas descrevendo os diversos detalhes de Kala, mas precisarei me retirar, já é quase noite e a fome corrói minhas entranhas.

Onde Encontrar a deusa kala?

A lDeusa Kala é mencionada na novela A Serpente de Bronze, publicada em ebook, Amazon.

A Serpente de Bronze conta a história de uma jovem mulher que deseja provar ao seu país que o campo de batalha é o seu lugar, não os salões protegidos atrás dos muros de um palácio. Bannery Skarten luta contra o preconceito machista velado em sua cidade, Spenyn, o qual exclui mulheres de exercer atividades bélicas, seja na linha de frente ou no planejamento de guerra. Spenyn é assolada por criaturas lendárias, os Kralifs, poderosas e o mortais, que vem destruindo o exército, as fazendas e quem estiver em seu caminho. Banny quer defender seu povo, mostrar que pode ser mais do que a filha do líder. Em suas veias corre o sangue das serpentes do deserto.

SINOPSE:

As cornetas de Spenyn anunciaram, ao alvorecer, o início da nova batalha. Criaturas tão antigas a ponto de virarem lendas, retornaram trazendo desordem e caos em um prenúncio de tempos de guerra. O que renasceu nas areias desérticas de Phóllen trouxe o medo, reviveu horrores e anunciou o começo da nova Era. Bannery Skarten, herdeira do trono das serpentes, vê o exército de seu pai se esvair em sangue e dor ao fazerem frente ao novo inimigo. Com a cidade de Spenyn ameaçada e a única solução para a ameaça recusada pelo conselho, Bannery precisará enfrentar os velhos generais e seu pai para provar que o campo de batalha é o seu lugar.

Que meus inimigos sintam a dor da minha picada“.

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