A Lenda da Lança de Foermea

A Lenda da Flecha de Foermea

No auge do tempo dos dragões, quando a terra era alimentada com o sangue das tribos, Kala e Kanum duelaram. Em nome deles os humanos ergueram foices, arakes, espadas. Amaldiçoaram, estupraram, queimaram, expurgaram e assim prometeram que a paz chegaria.

Caos, esse era o nome que poderia ser dado ao que aconteceu. O mais profundo caos, instaurado pela ausência de uma força primordial, de um líder.

A deusa, com seu jeito benevolente, desejava intervir, descer ao encontro dos seus e por meio de sua grande diplomacia convencer os povos a recuarem armas, unindo-se em um grande povo.

O deus, entretanto, acreditava na vitória do mais forte, impedindo os planos de Kala a cada ato por ela pensado.

Desceram dos céus os leões alados, nascido da primeira mágoa entre Kala e Kanum. Sua juba representava o orgulho, o ferrão de sua cauda escorpiana se dava ao ácido da mágoa e as asas o conferiam a liberdade de se espalhar em praga por onde quer que tal situação se repetisse.

Foram chamadas de monharkira, aqueles que rugem aos céus. Veneno descia de suas bocas, a pele era mais resistente que o ferro empunhado. A peçonha matava antes do primeiro minuto se completar.

Monharkiras ceifaram aos montes. Amohant, o servo da Ceifadora e, diz a lenda, primeiro de seus filhos, carregava as almas para o Mar dos Lamentos em grande pesar.

Então, o segundo flagelo se deu: Kanum cortou o seio de Kala, o sangue dela escorregou farto pelos Oásis Dourados da deusa, serpenteando pelo solo sagrado de seu lar, transformando-se em criatura.

Brotaram da terra os lagartos famintos, aqueles cuja couraça jamais era perfurada e cuja força equiparava-se aos dragões. Escorregando pela areia do deserto, os houkyria – o nadador da areia/o morador da areia –, ceifaram aos montes. Seus sibilados eram tão agudos e intensos, que hipnotizavam suas vítimas, as enlouquecendo rapidamente, enquanto injetavam veneno em seus corpos; a morte ocorria de dentro para fora, derretendo órgãos e ossos.

Amohant recolheu humano e criatura quando seus corpos davam o último suspiro. Pois cada ser nascido do conflito entre os deuses também sofria as consequências da guerra.

O terceiro flagelo veio em tayra, o calor reduzido, os ventos secos e frios arrastando tempestades de areia. Kala, ferida e tão magoada que suas lágrimas enchiam lagunas, se escorou longe de seu povo. Flutuou para um lugar onde pudesse repousar, lamber suas feridas e, assim, se recuperar.

Sofrendo, ouvia o tilintar do metal colidindo com metal a cada vez que fechava os olhos. Em seu desespero, clamou por paz. Perguntou-se onde errara, pediu um conselho ao universo.

Naquele dia, quando o orgulho da deusa foi rompido ela recebeu uma visita.

Quando seu canto no horizonte escutar

Será chegada a hora

Quando o pranto nos olhos da deusa secar

O último flagelo a terra torna

Rubro banhou a areia

Dor fora espalhada no chão

Para extinguir a mágoa que permeia

Deverá entender a canção

Kala ouviu…

Reza a lenda que Kanum se arrependeu por todo o mal causado, que cantou em perdão por cem dias e cem noites, despido de qualquer orgulho cabível no guerreiro que era. Kala compadeceu-se, o obrigou a prometer que jamais tornaria a ser seu inimigo e que dali por diante seria ele seu servo. Então, uniram-se em amor.

De seu ventre nasceu a esperança, de seu coração brotou o último palpitar.

Um líder, um sangue de seu sangue, um descente, um braço do seu legado.

Quando a criança, filha dos deuses, pisou em Ioverlar pela primeira vez, o céu foi cortado por um raio vermelho imenso, no formato de uma lança.

A chegada do filho dos deuses encerrou a guerra entre as tribos e assim nasceram os primórdios das primeiras cidades sulistas.

É dito até os dias de hoje que quando o filho de Kala e Kanum está para renascer, a Lança de Foermea corta o céu com seu rubro alaranjado, convocando todos os sangues devotos a seguirem seu líder.

Onde Encontrar a Lenda de Foermea?

A lDeusa Kala é mencionada na novela A Serpente de Bronze, publicada em ebook, Amazon. Entretanto, a lenda sobre a Flecha de Foermea será explora no livro que está em confecção.

A Serpente de Bronze conta a história de uma jovem mulher que deseja provar ao seu país que o campo de batalha é o seu lugar, não os salões protegidos atrás dos muros de um palácio. Bannery Skarten luta contra o preconceito machista velado em sua cidade, Spenyn, o qual exclui mulheres de exercer atividades bélicas, seja na linha de frente ou no planejamento de guerra. Spenyn é assolada por criaturas lendárias, os Kralifs, poderosas e o mortais, que vem destruindo o exército, as fazendas e quem estiver em seu caminho. Banny quer defender seu povo, mostrar que pode ser mais do que a filha do líder. Em suas veias corre o sangue das serpentes do deserto.

SINOPSE:

As cornetas de Spenyn anunciaram, ao alvorecer, o início da nova batalha. Criaturas tão antigas a ponto de virarem lendas, retornaram trazendo desordem e caos em um prenúncio de tempos de guerra. O que renasceu nas areias desérticas de Phóllen trouxe o medo, reviveu horrores e anunciou o começo da nova Era. Bannery Skarten, herdeira do trono das serpentes, vê o exército de seu pai se esvair em sangue e dor ao fazerem frente ao novo inimigo. Com a cidade de Spenyn ameaçada e a única solução para a ameaça recusada pelo conselho, Bannery precisará enfrentar os velhos generais e seu pai para provar que o campo de batalha é o seu lugar.

Que meus inimigos sintam a dor da minha picada“.

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